Raízes que permanecem: produção orgânica transforma realidade no interior de Três Arroios
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Entre o cuidado com a terra, o incentivo ao produtor rural, a propriedade da família Farikoski mostra a continuidade de um legado construído de geração em geração

Por: Ragnara Marchiori
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Produzir alimento saudável, cuidar da terra e ainda garantir que o trabalho continue na família. No interior de Três Arroios, a rotina da agricultora Cleonice Farikoski mostra como a agricultura orgânica tem ganhado espaço e mudado realidades.
A produção começou há mais de uma década, ainda de forma simples. Hoje, os alimentos cultivados sem agrotóxicos chegam à merenda escolar do município e também a consumidores de outras cidades, como Passo Fundo. “É um privilégio saber que as crianças estão comendo um alimento limpo, sem produto químico”, conta.
Além das entregas para o município, a comercialização também acontece diretamente com o consumidor. Na feira, o contato é próximo e o acesso ao alimento orgânico se torna mais viável. “Lá as pessoas conseguem comprar direto de quem produz. É o mesmo alimento que vai pra mesa da minha família”, diz.
Mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo, o trabalho era feito sem estrutura. A lavagem das hortaliças acontecia ao ar livre, enfrentando chuva, frio e até geada. “A gente lavava na chuva mesmo. No frio, na geada… depois conseguimos um espaço, mas era muito quente no verão e muito frio no inverno”, lembra Cleonice.
A mudança começou com o acesso ao crédito rural por meio do Sicredi. Com o financiamento, a família conseguiu construir um pavilhão, melhorando as condições de trabalho e a organização da produção.
Hoje, a rotina é outra. “Agora a gente consegue fazer tudo lá dentro. Isso facilitou muito, aumentou a produção e agilizou o trabalho”, explica.
Com mais estrutura, vieram também novos planos. A propriedade já conta com produção de figo e deve ampliar o cultivo nos próximos anos. Em meio a todo esse incentivo, os sonhos começaram a se concretizar. “O meu maior sonho já está se realizando, que é o nosso filho tocar a propriedade”, conta a agricultora.
A permanência do filho Kauê no campo marca a continuidade de um trabalho construído ao longo dos anos e reascende uma realidade que nem sempre é comum no meio rural: a sucessão familiar. Entre hortaliças, planejamento e novos investimentos, a propriedade segue em atividade, agora com uma nova geração envolvida.




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