Hospital Santa Terezinha consolida papel regional no SUS e aponta desafios para qualificar atendimento
- Najaska - Jornalismo

- há 11 horas
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Em entrevista à Rádio Virtual, diretor executivo da instituição, Rafael Ayub, destacou pontos como a alta complexidade, ensino em saúde, volume expressivo de atendimentos e investimentos em tecnologia

O Hospital Santa Terezinha, de Erechim, segue se consolidando como uma das principais referências do Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Sul, atendendo pacientes de mais de 80 municípios e realizando procedimentos de alta complexidade que atraem inclusive usuários de grandes centros, como Caxias do Sul. “Isso mostra a importância do nosso hospital para a região como um todo e para o Estado”, destacou o diretor executivo, Rafael Ayub, em entrevista ao programa Studio 104, da Rádio Virtual. O reconhecimento recente, que colocou o Santa Terezinha entre os 100 melhores hospitais 100% SUS do país, foi recebido, segundo ele, com satisfação, mas também como sinal de responsabilidade. “Mostra a busca, ao longo de 30 anos de atendimento ao SUS, por qualidade e bom atendimento à comunidade.”
Além da assistência, o hospital vive o desafio de se afirmar como hospital de ensino completo na área da saúde. A instituição mantém um programa de residência médica que completou dez anos. Esse perfil, no entanto, exige ajustes, especialmente na comunicação com pacientes e familiares. “Hoje é muita gente circulando: estudantes, residentes, profissionais de diferentes áreas. Às vezes, cada um fala uma coisa, e isso precisa ser afinado”, afirmou Ayub, ao apontar a comunicação interna como um dos principais desafios da gestão. Soma-se a isso a manutenção de uma estrutura antiga — com prédios que chegam a quase 70 anos — e os impactos recentes de eventos climáticos, como a chuva de granizo que chegou a inutilizar cerca de 80 leitos de internação. Segundo o diretor, apesar das dificuldades, a resposta foi possível graças ao engajamento dos funcionários e ao apoio de municípios da região, do Executivo e do Legislativo de Erechim.
Os números apresentados pelo hospital ajudam a dimensionar a intensidade do atendimento. Apenas na urgência e emergência, são cerca de 100 mil atendimentos por ano, o equivalente a quase 300 por dia. Ayub chama atenção para o fato de que aproximadamente 70% desses casos não são, tecnicamente, de urgência. “Urgência é quando o paciente corre risco de vida se não for atendido em poucos minutos. A maioria são situações que poderiam ser resolvidas na atenção básica”, explicou. Essa realidade impacta diretamente no tempo de espera e na percepção da população. O hospital também realiza, mensalmente, cerca de 60 mil exames laboratoriais, quase 5 mil exames de raio-x e aproximadamente 1.900 cirurgias. Ortopedia, oncologia e cirurgia geral concentram o maior volume cirúrgico, embora a traumatologia ainda registre filas expressivas.
No atendimento oncológico, por meio da Unacon, que soma quase 29 mil atendimentos, o Santa Terezinha consegue tratar praticamente todos os tipos de câncer no próprio município, com exceção de poucos procedimentos de referência estadual, como a braquiterapia. “Temos cirurgia oncológica, radioterapia e quimioterapia. Quase 100% dos tumores conseguimos tratar aqui”, ressaltou Ayub. Ele também alertou para o aumento de diagnósticos em pessoas jovens e, muitas vezes, em estágios avançados da doença, reforçando a importância da prevenção e dos exames regulares. Embora a legislação estabeleça prazo máximo de 60 dias entre diagnóstico e cirurgia oncológica, a média atual do hospital está em torno de 75 dias, o que tem motivado a realização de mutirões e a ampliação da capacidade cirúrgica.
O diretor executivo destacou ainda que o Hospital Santa Terezinha não atende apenas Erechim. Das cerca de 14 mil internações registradas, pouco mais da metade envolve pacientes de outros municípios ou até de fora da região. “Que bom que conseguimos atender a nossa população e a região como um todo”, avaliou. Para os próximos passos, Ayub aponta como metas a modernização constante dos equipamentos — com a chegada de novos aparelhos de tomografia, torre de vídeo e ultrassom portátil — e a ampliação de serviços, como a alta complexidade em neurocirurgia, que já conta com aval do Estado e aguarda autorização federal. “O desafio é fazer uma gestão eficiente, com recursos escassos, mantendo qualidade e sustentabilidade”, afirmou.
O reconhecimento nacional, segundo ele, reforça que o caminho adotado é o correto, embora ainda existam pontos a melhorar. A avaliação que colocou o Santa Terezinha entre os melhores hospitais 100% SUS foi realizada pelo Instituto Pan-Americano de Saúde (IPAS), em parceria com entidades que reúnem secretários estaduais e municipais de saúde. No Rio Grande do Sul, apenas dois hospitais alcançaram essa classificação. “Isso nos dá alegria e a certeza de que estamos no caminho certo, sempre com o foco em entregar uma saúde de qualidade, principalmente para quem mais precisa”, concluiu.
Assista a entrevista na íntegra:








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