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Por que seguidores não garantem agenda cheia: o paradoxo da visibilidade sem conversão em clínicas de saúde

  • Foto do escritor: Najaska - Jornalismo
    Najaska - Jornalismo
  • há 2 minutos
  • 3 min de leitura

Especialista explica por que o excesso de conteúdos genéricos cria audiência, mas falha em transformar engajamento em consultas; estruturar a jornada digital pode elevar a previsibilidade financeira em até 22%

Ter milhares de seguidores nas redes sociais e, ainda assim, conviver com buracos na agenda tornou-se uma situação recorrente em clínicas de saúde no Brasil. O fenômeno atinge profissionais que produzem conteúdo com frequência, investem em estética digital e registram bom engajamento, mas não conseguem transformar visibilidade em consultas marcadas. O problema, segundo especialistas em gestão e marketing da saúde, está menos no alcance e mais na ausência de uma estratégia clara de conversão ao longo da jornada digital do paciente.


Conteúdo que informa, mas não conduz à decisão


Boa parte das clínicas concentra sua comunicação em dicas genéricas de saúde, curiosidades e orientações que são facilmente encontradas em pesquisas na internet. Esse tipo de conteúdo cumpre um papel educativo, mas tende a formar seguidores que observam, consomem e seguem, sem avançar para a decisão de agendar um atendimento. O resultado é um público informado, porém distante da ação.


Para Ricardo Novack, especialista em gestão e sócio-diretor do Grupo ICOM, o erro está em tratar as redes apenas como vitrine. “O conteúdo gera valor, mas não cria desejo. O seguidor aprende, mas não entende por que aquele profissional é a solução ideal para o problema dele”, afirma.


A jornada digital do paciente espelha a experiência presencial e exige o cumprimento de etapas graduais. Tudo começa com o acesso à informação, que evolui para o reconhecimento de que a clínica detém a solução para uma dor específica. A partir daí, o conteúdo deve nutrir a confiança e estabelecer a autoridade profissional. Somente após atravessar esse ciclo é que o paciente se sente seguro para o agendamento. Se a comunicação foca apenas no interesse inicial, sem aprofundar a conexão, a conversão final raramente se concretiza.


Estudos recentes do setor confirmam esse movimento. Levantamento da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) mostra que clínicas que estruturaram melhor seus processos de comunicação e atendimento reduziram em até 25% as faltas e elevaram em 18% a satisfação dos pacientes. Já o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) aponta que operações com jornadas bem definidas apresentam 22% mais previsibilidade financeira, um indicativo direto de maior taxa de conversão.


Mostrar como o atendimento funciona, explicar o método adotado e apresentar resultados reais tem se mostrado mais eficaz do que publicar apenas orientações genéricas. Bastidores, relatos de pacientes e explicações práticas ajudam o público a entender por que aquele serviço é diferente e confiável.


“Quando o paciente se identifica com o conteúdo e percebe que o profissional já resolveu casos semelhantes, a decisão de agendamento deixa de ser um conceito abstrato e se torna palpável”, explica Novack. Segundo ele, o testemunho de outros pacientes funciona como um atalho de confiança dentro da jornada digital, reduzindo incertezas e acelerando a decisão pelo primeiro contato.


Chamadas para ação ainda são negligenciadas


Outro ponto crítico é a falta de direcionamento claro. Muitos conteúdos não indicam o próximo passo esperado do público. Sem chamadas objetivas, como convite para agendar, entrar em contato ou tirar dúvidas, o engajamento se encerra na curtida ou no comentário.


Na prática, cada postagem precisa ter um objetivo definido. Se não apresenta a dor, a solução e o caminho para a consulta, tende a funcionar apenas como entretenimento. “A conversão não começa no WhatsApp. Ela começa no conteúdo”, resume o especialista.


O crescimento das redes sociais no setor da saúde ampliou a competição por atenção, mas também evidenciou uma distorção: engajamento alto não significa faturamento. Clínicas que desejam transformar seguidores em pacientes precisam rever a forma como se comunicam, deixando de colecionar audiência e passando a estruturar conteúdos que conduzam, de forma clara, até a decisão pelo atendimento.

 
 
 

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