UFFS finaliza cadastramento de famílias atingidas por chuva de granizo em Erechim
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Levantamento realizado por estudantes e professores subsidia o trabalho da Defesa Civil e GRAU e mantém apoio à população no período pós-desastre

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim atuou em mais uma frente de ajuda humanitária à comunidade de Erechim. Em apoio direto ao GRAU e à Defesa Civil, uma equipe de estudantes e professores realizou um levantamento de residências atingidas pela chuva de granizo de novembro de 2025. A iniciativa complementa outra ação já realizada pela Universidade, no âmbito do projeto “Ação humanitária no enfrentamento da emergência climática em Erechim”, voltada ao atendimento do Arquivo Histórico de Erechim, também afetado pelo evento climático.
Esta frente de trabalho, coordenada pelos professores Anderson Alves Ribeiro e Sabine de Paris, consistiu no mapeamento técnico das condições das residências em toda a cidade, com foco na situação dos telhados — se os imóveis ainda utilizam lonas, se permanecem sem telhas ou se os danos não foram reparados por falta de recursos financeiros ou de material. As informações coletadas são organizadas e disponibilizadas diretamente à Defesa Civil, que coordena o atendimento às famílias, em articulação com a Prefeitura e a Força Voluntária. “O trabalho mais amplo foi realizado nos primeiros momentos após o desastre, mas muitas situações acabaram ficando para trás. Esse levantamento funciona como um pente fino, justamente para identificar famílias que, por diferentes motivos, não foram atendidas naquele primeiro momento”, explica.
O mapeamento teve início pelos bairros com maior vulnerabilidade social, como Progresso, Cristo Rei, Paiol Grande, Jaboticabal, Presidente Vargas e Vitória, avançando gradativamente em direção às áreas mais centrais da cidade. Na última sexta-feira, 6, foi realizada a última atividade e a conclusão do levantamento em todo o município.
A ação envolveu 15 estudantes bolsistas e dois professores, com participação de alunos de diversos cursos do Campus, como Arquitetura e Urbanismo, Agronomia, Engenharia Ambiental e Sanitária, Ciências Biológicas, Geografia e também da pós-graduação. Os dados foram coletados por meio de um formulário eletrônico desenvolvido pela Defesa Civil, contendo informações básicas sobre endereço, condições estruturais da residência e situação do telhado. As informações alimentam uma planilha de acesso direto das equipes responsáveis, que, a partir desse levantamento, encaminham vistorias, doações de telhas e, quando necessário, apoio com mão de obra para a realização dos reparos.
Atuação da Universidade no pós-desastre
De acordo com o professor Anderson, a contribuição da UFFS é especialmente relevante no período posterior aos desastres, quando o envolvimento da sociedade tende a diminuir, mas as demandas da população ainda persistem. Segundo ele, equipes da Defesa Civil e da Força Voluntária observam uma “curva de comoção” após eventos extremos: nos primeiros dias, há grande mobilização de voluntários e apoio à comunidade, mas, com o passar das semanas, esse engajamento cai de forma significativa. “Embora a demanda diminua ao longo do tempo, ela não cessa, exigindo continuidade no apoio às famílias atingidas, além de organização de dados, análise das informações levantadas e estruturação de protocolos de ação. Nesse contexto, a atuação da universidade se torna estratégica ao manter um grupo organizado e qualificado de estudantes e professores envolvidos nas ações de suporte”, avalia o professor.
Além disso, a professora Sabine, também coordenadora da ação, destaca o papel formativo e social do projeto de extensão. “A universidade, por meio desse projeto, busca justamente fazer a conexão dos alunos com a sociedade e com a comunidade”, afirma. Segundo ela, as visitas aos bairros permitem identificar as casas que ainda utilizam lonas e compreender os motivos pelos quais os reparos não foram realizados. “Isso é muito importante para os estudantes, porque eles passam a conhecer melhor a cidade, os bairros, saem do espaço da Universidade e começam a aplicar, na prática, os conhecimentos teóricos, especialmente na área de planejamento urbano e habitacional. Essa vivência contribui tanto para a formação acadêmica quanto para o futuro profissional deles”, ressalta.
O pró-reitor de extensão e cultura da UFFS, destaca que além de contribuir diretamente para que nenhuma família fique sem atendimento, o trabalho desenvolvido pela UFFS também fortalece a capacidade de resposta a futuras ocorrências. “A experiência adquirida no levantamento, na análise dos dados e na compreensão do funcionamento dos sistemas de resposta a emergências contribui para o desenvolvimento de protocolos que poderão ser utilizados em novos eventos extremos, cuja frequência tende a aumentar. A iniciativa beneficia diretamente o município de Erechim e também pode servir de referência para outros municípios da região, ampliando o impacto social da Universidade e reforçando o papel da UFFS junto a seu território”, afirma.
Desde a tragédia climática que atingiu o município de Erechim no final de novembro de 2025, a UFFS vem atuando diretamente no auxílio à comunidade. Através do projeto “Ação humanitária no enfrentamento da emergência climática em Erechim” a UFFS selecionou 19 alunos bolsistas e 10 colaboradores (técnicos e professores) para auxiliar o Grupo de Resposta a Atendimento de Urgência (GRAU) do Município. A iniciativa foi viabilizada a partir de recursos articulados pela Reitoria junto ao Ministério da Educação, que resultaram na descentralização de uma Nota de Crédito complementar, especificamente destinada ao financiamento de ações emergenciais de extensão.




