Safra de pitaya deve ser menor no Alto Uruguai após geada histórica
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No ano passado, a propriedade colheu cerca de 10 toneladas. Para este ano, a expectativa é menor

A safra de pitaya 2026 começa mais tímida na região do Alto Uruguai Gaúcho. Em Três Arroios, na comunidade de Coxilha Seca, o casal Delésio Kaminski e Magda Pagnoncelli — hoje entre os maiores produtores da fruta na região — já sente os reflexos de uma geada considerada fora do padrão.
No ano passado, a propriedade colheu cerca de 10 toneladas. Para este ano, a expectativa é menor. Segundo Delésio, mesmo com todos os cuidados adotados, o frio intenso surpreendeu. “A gente cobre todos os pés, mas foi uma geada que nunca imaginou que ia ter. Mesmo protegendo, prejudicou bastante”, relata.
A produção começa mais devagar e também com certo atraso em comparação a 2025.
Preço mantido desde o início
Apesar da redução na colheita, o valor da fruta permanece em R$ 15 o quilo — preço praticado desde que a família iniciou o cultivo. “Desde que a gente plantou, nunca aumentamos. Quando tem pico de safra até diminuímos, mas este ano não sabemos se vai ser possível”, explica Magda.
A comercialização é feita principalmente de forma direta ao consumidor. Quem quiser pode ir até a propriedade e colher a fruta direto do pé. A venda também acontece para escolas da região e para um ponto fixo em Erechim, no Mercado Triângulo, no bairro 15 de Novembro. Neste ano, a pitaya também deve chegar às escolas de Severiano de Almeida e Mariano Moro.
175 variedades na mesma propriedade
Um dos diferenciais do cultivo em Coxilha Seca é a diversidade: são 175 variedades de pitaya plantadas na propriedade. Cada uma com características próprias.
“Tem umas mais ácidas, outras equilibradas entre acidez e doçura, e outras só doces. Cada variedade tem o seu sabor”, destaca Delésio. A variedade chama atenção não apenas pela cor vibrante da fruta, mas também pelo potencial de mercado que vem crescendo nos últimos anos na região.
Entrega em Erechim e vendas por WhatsApp
Além da venda na propriedade, o casal também organiza entregas em Erechim. Os pedidos são feitos diretamente pelo WhatsApp. Magda mantém um grupo com clientes e avisa quando estará na cidade. Dependendo do bairro, a entrega é feita em domicílio ou em um ponto combinado. “Se for muito distante, a gente combina um local. Mas a gente entrega, sim”, reforça.
Mesmo com a quebra na produção, a expectativa é manter o atendimento aos clientes fiéis e garantir que a fruta continue chegando fresca à mesa dos consumidores do Alto Uruguai.
A colheita já começou — mais lenta, é verdade — mas com a mesma dedicação de quem transformou a pitaya em referência regional.
Por: Ragnara Marchiori




