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Prazo para inclusão de riscos psicossociais na NR-1 se aproxima e exige mudança na rotina das empresas

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Atualização da norma amplia exigências no PGR e traz para o centro do debate, fatores ligados à saúde mental no ambiente de trabalho




A proximidade do prazo para adequação à atualização da NR-1 tem pressionado empresas a incorporarem, de forma efetiva, os riscos psicossociais ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O tema foi pauta do Painel Interativo promovido pela Rádio Virtual nesta terça-feira (14) em alusão ao Abril Verde, mês de conscientização sobre a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. A atividade contou com a participação da Mais Saúde Ocupacional, reunindo profissionais de diferentes áreas para tratar dos impactos práticos da mudança. A sócia-proprietária da empresa, Taciana Ribas, destacou que, embora o assunto já estivesse previsto anteriormente dentro da ergonomia, agora passa a ter maior evidência e responsabilidade. “O risco psicossocial já existia, mas agora ele ganha destaque dentro da NR-1 e isso traz uma responsabilidade maior para as empresas”, afirmou. Segundo ela, mais do que atender à exigência, o principal desafio está na mudança de cultura. “Serão novas exigências, novas execuções, mas sem mudança de cultura não se consegue avançar”, pontuou.


A abordagem, conforme explicou, não se confunde com a atuação clínica da psicologia, mas está relacionada à análise da organização do trabalho e de fatores que, ao longo do tempo, podem levar ao adoecimento. Isso inclui aspectos como excesso de demandas, pressão, falhas de comunicação e outros elementos que impactam o dia a dia dos trabalhadores. “Não é algo que acontece de um dia para o outro. É preciso olhar os processos, analisar dados qualitativos e quantitativos e entender que esse risco não está isolado, ele dialoga com outras áreas, como a ergonomia”, explicou Taciana. Nesse sentido, ela reforçou a necessidade de equipes multidisciplinares para garantir diagnósticos mais precisos e ações efetivas. “Não é mais uma opção. É obrigatório. E precisa ser entendido como parte da estrutura de prevenção dentro do PGR”, disse, ao comparar a nova exigência a uma espécie de “EPI da saúde mental”, que deve ser incorporado de forma contínua.


A inclusão dos riscos psicossociais também amplia o campo de atuação dos profissionais de segurança do trabalho. O técnico em segurança do trabalho, Marcelo Marin Pichler, participante do painel ressaltou que, tradicionalmente, a área estava voltada aos riscos físicos e operacionais, mas agora passa a exigir uma leitura mais ampla do ambiente laboral. “Hoje não se olha apenas para o físico, mas também para o mental. Isso envolve perceber situações de estresse, sobrecarga e até promover campanhas preventivas e canais de escuta dentro das empresas”, explicou. Ele destacou ainda que a norma não determina uma metodologia única, o que exige das empresas a adoção de ferramentas adequadas à sua realidade, combinando análise de dados com a percepção humana. A ausência dessa gestão, segundo ele, pode trazer consequências. “A não inclusão no PGR expõe a empresa a fiscalização, autuações, multas e até processos trabalhistas”, alertou.


No atendimento em saúde, os efeitos dessa realidade já são percebidos no cotidiano. A enfermeira Débora Czimoski, que atua na parte de enfermagem do trabalho falou sobre o aumento significativo de queixas relacionadas ao emocional, que muitas vezes acabam ficando associadas a sintomas físicos. “Hoje é comum recebermos relatos de ansiedade, insônia, irritabilidade e dificuldade de concentração, além de dores de cabeça e problemas gastrointestinais”, exemplificou. Ela também chamou atenção para mudanças de comportamento, como isolamento e queda de produtividade, que podem indicar a necessidade de intervenção. De acordo com a profissional, esse cenário se intensificou após a pandemia. “A saúde mental deixou de ser um tema secundário e passou a ser uma questão real dentro das empresas”, destacou.


Apesar disso, ainda há resistência por parte dos trabalhadores em abordar o tema, principalmente pelo receio de julgamento. Para a enfermeira, cabe às empresas criarem um ambiente seguro para que essas situações possam ser relatadas. “É fundamental garantir acolhimento e sigilo, para que o trabalhador se sinta à vontade para falar”, disse. Ela reforçou que, quando há um olhar estruturado sobre o tema, o atendimento deixa de ser reativo e passa a ser preventivo, reduzindo impactos tanto para o colaborador quanto para a organização.


Com o prazo de adequação se aproximando, os participantes do painel foram unânimes ao destacar que adiar a implementação não é mais viável. A avaliação é de que o processo exige planejamento, envolvimento de diferentes áreas e acompanhamento contínuo. Nesse sentido, a Mais Saúde Ocupacional tem atuado com equipes multidisciplinares para auxiliar empresas na estruturação dessas ações. “Essa não é uma questão que deve ser tratada como uma exigência pontual, mas como parte permanente da gestão do ambiente de trabalho”, resumiu Taciana, ao destacar a importância de que o levantamento ser feito por profissionais habilitados e preparados.

 
 
 

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