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Os olhos dos pais na formatura Por: Ragnara Marchiori

  • Foto do escritor: Najaska - Jornalismo
    Najaska - Jornalismo
  • há 22 minutos
  • 2 min de leitura

Naquele instante, os olhos que viveram preocupados podem, enfim, ser só alegria. E eu, ali no palco, sigo achando que essa é a cena mais bonita. Porque diplomas se entregam aos filhos, mas a conquista, silenciosa e profunda, também é dos pais

Por: Ragnara Marchiori

Imagem: IA


Trabalho frequentemente em formaturas. Como mestre de cerimônias, estou ali conduzindo tempos, nomes, rituais. Mas confesso: há momentos em que deixo o protocolo de lado, mesmo que só por dentro, para observar o que realmente importa. E, sem dúvida, um dos meus instantes preferidos em toda celebração é a reação dos pais.


Ela começa cedo. Na chamada nominal dos formandos, quando o nome do filho ecoa no microfone e, logo depois, o nome do pai e da mãe também é citado. É ali que algo muda no ambiente. Antes mesmo dos aplausos, os olhos já entregam tudo.


Olhos que falam sem nenhuma palavra.

Que lacrimejam, sorriem, vibram.

Olhos que denunciam sentimentos, descaradamente, sem qualquer tentativa de disfarce.


É impossível não imaginar o filme que passa pela mente deles. Do nascimento ao primeiro dia de aula. Dos tombos pequenos às quedas grandes. Das mochilas arrumadas às madrugadas em claro. Dos medos escondidos, das angústias engolidas em silêncio, do choro guardado para não preocupar.


Porque ser pai e mãe também é isso: sustentar firmezas que nem sempre existem. É passar noites acordado, trabalhar dobrado, abrir mão de sonhos próprios para que outro sonho tenha espaço. É seguir, mesmo cansado, mesmo inseguro, mesmo sem garantias.


E então chega a formatura.

Esse marco que, querendo ou não, traz uma sensação de caminho consolidado. Não é o fim, mas uma travessia vencida. Uma certeza temporária de que algo deu certo.


No final da celebração, quando os formandos jogam os chapéus para o alto, os olhos dos pais voltam a brilhar. Agora, livres. Cansados, sim. Mas orgulhosos. Finalmente autorizados a descansar um pouco daquele peso invisível que carregaram por anos.


Naquele instante, os olhos que viveram preocupados podem, enfim, ser só alegria.

E eu, ali no palco, sigo achando que essa é a cena mais bonita de qualquer formatura.


Porque diplomas se entregam aos filhos.

Mas a conquista, silenciosa e profunda, também é dos pais.

 
 
 

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