Março Amarelo alerta para a importância do diagnóstico precoce da endometriose
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Campanha mundial de conscientização chama atenção para doença que afeta milhões de mulheres e pode impactar fertilidade e qualidade de vida

Março é marcado mundialmente pela campanha de conscientização sobre a endometriose, conhecida como Março Amarelo, que busca ampliar a informação sobre a doença, incentivar o diagnóstico precoce e orientar mulheres sobre sintomas e tratamento. A condição afeta milhões de mulheres e ainda é considerada subdiagnosticada.
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, cresce fora da cavidade uterina, podendo atingir órgãos como ovários, trompas, bexiga e intestino. Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais e dificuldade para engravidar. De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Endometriose, a doença afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva e pode estar associada a aproximadamente 30% dos casos de infertilidade feminina.
Para o especialista em reprodução assistida Dr. Wilson Jaccoud, CRM-SP 41.142, RQE 130381 e RQE 130391, diretor médico técnico da Fert-Embryo, ampliar o conhecimento sobre a doença é fundamental para reduzir o tempo até o diagnóstico. “A endometriose pode impactar significativamente a saúde e a fertilidade da mulher. Muitas pacientes convivem durante anos com dor intensa sem imaginar que isso pode estar relacionado à doença. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado e preservar a qualidade de vida e o planejamento reprodutivo”, explica o especialista.
Segundo o médico, cada caso deve ser avaliado de forma individualizada, considerando sintomas, idade da paciente, extensão da doença e desejo de engravidar. O tratamento pode envolver acompanhamento clínico, controle dos sinais e, em alguns casos, abordagens voltadas à preservação da fertilidade como o congelamento de óvulos.
Segundo a médica ginecologista e docente na Universidade de São Paulo - Faculdade de Medicina de Bauru FMBRU - USP , Dra. Mariane Nadai, CRM-SP 130144 e RQE 38309 “O tratamento da endometriose deve ser individualizado. A decisão sobre tratamento conservador com medicamentos ou cirurgia deve considerar o desejo reprodutivo da paciente. Existem opções clínicas que podem ajudar no controle da dor e, em alguns casos, estratégias de reprodução assistida que podem ser consideradas para otimizar as chances de gravidez. Por isso, é essencial que a paciente seja avaliada de forma global, considerando sintomas, idade, reserva ovariana e planos reprodutivos.”
Nos últimos anos, o Brasil registrou um aumento significativo nos procedimentos de congelamento de óvulos. De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o número de ciclos de congelamento de óvulos de mulheres de 35 anos quase dobrou entre 2020 e 2023 passando de 2.193 para 4.340, um crescimento de 97,9%. Além disso, o total de óvulos congelados no país aumentou 96,5% no mesmo período, passando de 56.700 em 2020 para 111.413 em 2023.
Durante o mês de conscientização, é preciso reforçar a importância de que mulheres estejam atentas aos sinais do corpo e procurem avaliação médica ao perceber sintomas persistentes, especialmente dores intensas durante o ciclo menstrual ou dificuldades para engravidar. A campanha do Março Amarelo busca justamente ampliar o debate sobre a endometriose, combater a desinformação e incentivar que mais mulheres tenham acesso ao diagnóstico e tratamento adequados.




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