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Lipedema e linfedema exigem diagnósticos distintos e atenção médica especializada, alerta cirurgião vascular

  • Foto do escritor: Najaska - Jornalismo
    Najaska - Jornalismo
  • 15 de jan.
  • 2 min de leitura

Condições são frequentemente confundidas, mas têm origens, sintomas e tratamentos diferentes; estimativas apontam alta subnotificação no Brasil


Imagem feita por IA
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Embora compartilhem sintomas como inchaço e desconforto nos membros, o lipedema e o linfedema são doenças distintas que exigem diagnósticos precisos e acompanhamentos médicos específicos. O alerta é do cirurgião vascular Dr. Saymon Santana, diretor técnico da Clínica Vasculare, com atuação nas regiões de Imperatriz (MA) e sul do Pará. “Muitas pacientes chegam ao consultório sem saber que convivem com uma dessas condições há anos, o que dificulta o tratamento e prejudica a qualidade de vida”, afirma o médico, que também foi professor do curso de medicina do Ceuma. 


Segundo o especialista, o lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura nas pernas e quadris, sem acometer os pés, e está diretamente relacionado a fatores genéticos e alterações hormonais. É uma condição que afeta quase exclusivamente mulheres, com maior incidência durante a puberdade, gestação e menopausa. “O diagnóstico costuma ser tardio. Muitas vezes é confundido com obesidade ou retenção de líquidos, mas o lipedema tem sinais específicos, como dor, hematomas frequentes e sensibilidade aumentada”, explica Santana.


Já o linfedema resulta de uma falha no sistema linfático, responsável por drenar líquidos e resíduos do corpo. Quando esse sistema não funciona adequadamente, há acúmulo de linfa nos tecidos, gerando inchaço persistente que pode atingir braços, pernas e os pés. Pode ser congênito ou decorrente de cirurgias, infecções ou traumas. “No estágio avançado, o linfedema leva à fibrose, aumento de volume e endurecimento da pele, dificultando a mobilidade”, complementa.


Subnotificação e ausência de dados oficiais

Apesar da relevância, há escassez de dados nacionais sobre a prevalência das duas doenças. Estimativas internacionais citadas por entidades médicas indicam que até 11% das mulheres no mundo podem ter algum grau de lipedema — número que pode ser ainda maior devido à subnotificação. Em relação ao linfedema, levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 250 milhões de pessoas vivem com a condição globalmente, sendo uma parcela significativa nos países em desenvolvimento.

No Brasil, o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde não apresenta números consolidados sobre essas enfermidades, o que dificulta políticas públicas voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce.


Tratamentos e recomendações

O tratamento do lipedema envolve estratégias como fisioterapia, dieta equilibrada, exercícios físicos de baixo impacto e, em alguns casos, cirurgia. Já o linfedema pode ser controlado com drenagem linfática, uso de meias de compressão e acompanhamento clínico contínuo. Em ambos os casos, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações.


Dr. Saymon reforça que a automedicação e o uso de diuréticos sem prescrição podem agravar o quadro. “A abordagem deve ser multidisciplinar e personalizada, com foco na melhoria da qualidade de vida e na redução da progressão da doença”, destaca.


A orientação médica é essencial diante de sintomas persistentes como dor, inchaço e sensação de peso nos membros. “Buscar avaliação especializada ao primeiro sinal é o passo mais importante para garantir um tratamento eficaz”, conclui o cirurgião vascular.

 
 
 

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