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Entre acordes e silêncio, Seminário de Fátima abre espaço para o Belas Artes

  • há 15 minutos
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Após os danos causados pelo granizo de novembro de 2025, o Centro de Belas Artes Osvaldo Engel inicia parte de suas aulas no antigo espaço formativo do Seminário, que retoma sua vocação histórica de educar ao acolher alunos em atividades de formação cultural

O silêncio habitual do Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Erechim, ganhou novos sons nesta segunda-feira (2). Onde por décadas ecoaram passos de formação religiosa, agora os passos são de dança, há pinceladas de cor, aprendizado e também se ouvem acordes, ensaios e vozes de alunos do Centro de Belas Artes Osvaldo Engel, que iniciou parte de suas aulas no local.


A mudança ocorre após o granizo de novembro de 2025 atingir a sede da escola, na Rua Nelson Ehlers, e que atualmente passa por reformas. Na manhã da segunda-feira um ato marcou oficialmente a aula inaugural no espaço, reunindo direção do Belas Artes, o vice-prefeito Flávio Tirello, o secretário municipal de Cultura, Wallace Soares, além de alunos e professores. A recepção foi conduzida pelo Reitor do Santuário e do Seminário Nossa Senhora de Fátima, padre José Carlos Sala, que realizou uma bênção para marcar o novo período.


Referência cultural em Erechim e região, o “Belas” reúne mais de 600 estudantes distribuídos em 22 cursos nas áreas de música, dança, teatro e artes visuais. Para o Santuário de Fátima, a acolhida aos professores e alunos dialoga com a própria origem do espaço. “A vocação originária deste lugar é a educação e a formação. Ao acolher o Belas Artes, mantemos viva essa identidade”, afirmou Pe. Sala, ao recordar que, ao longo de mais de sete décadas, o seminário formou gerações de jovens, sendo 118 deles ordenados sacerdotes, além de muitos outros que seguiram diferentes profissões na cidade e em outras regiões do país. Ele também relembrou a relevância histórica do prédio, inaugurado em 1956 com a presença do então presidente Juscelino Kubitschek.


Segundo o reitor, a decisão de abrir as portas teve dois fundamentos: o primeiro, a solidariedade diante do momento enfrentado pela escola, com a disponibilização do espaço por valor de locação abaixo do mercado; o segundo, o reconhecimento da importância da arte e da cultura. Ele destaca que o ambiente tem favorecido o trabalho artístico. “Os professores e alunos estão encantados. O silêncio, a acústica das salas, o clima de recolhimento criam um ambiente muito propício para a produção artística. A arte também carrega mistério, e este lugar dialoga com isso”, observa, ao projetar que o espaço externo, amplo e arborizado, poderá, inclusive, receber apresentações ao ar livre no futuro.


O contrato firmado entre o Belas Artes e o Seminário é emergencial, com duração de seis meses. Ainda assim, a possibilidade de continuidade não é descartada. Pelo contrário, é uma perspectiva: “Nosso desejo é que o Belas Artes possa permanecer. Quem sabe o novo Belas seja o antigo seminário?!”, brinca o Reitor, ao destacar que trata-se de um espaço sagrado, feito para formar pessoas: “E a arte também forma”, conclui Pe. Sala.


 
 
 

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