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Cuidar além da cura: o sentido do Dia do Enfermo na Diocese de Erexim

  • há 2 horas
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Reflexão envolve a presença da Igreja nos hospitais, a Pastoral da Saúde e testemunhos que mostram a importância da fé diante das fragilidades físicas e emocionais



No Dia Mundial do Enfermo, celebrado em 11 de fevereiro, a Diocese de Erexim convida à reflexão sobre um cuidado que vai além da cura. Nos hospitais, nas casas, nos lares de idosos, nas Paróquias e Santuários, a presença da Igreja se traduz em escuta, oração e proximidade com quem enfrenta enfermidades físicas, emocionais ou espirituais. A data coincide com a memória de Nossa Senhora de Lourdes, tradicionalmente associada às curas, e chama atenção à compreensão de que o cuidado ao enfermo ultrapassa o tratamento clínico, envolvendo também presença, escuta e esperança.


No Hospital Santa Terezinha, referência regional, o padre Romário Barbosa atua como capelão e destaca que a missão vai além do atendimento ao paciente. “Buscamos fazer presença nesses momentos da vida dos pacientes e, principalmente, dos familiares, que muitas vezes são os que mais sofrem”, afirma. Segundo ele, além da unção dos enfermos e da Eucaristia, o apoio humano é essencial. “Concede-se o abraço, a escuta, reza-se juntos, pega-se pela mão. Isso faz uma grande diferença.”


O sacerdote relata que, em algumas ocasiões, a equipe religiosa acompanha inclusive os momentos finais. “Já aconteceu, durante a unção, o paciente vir a óbito com a nossa presença. Permanecemos ao lado da família, dedicando o nosso tempo.” No Santa Terezinha, há celebração de missa a cada 15 dias, além de visitas aos quartos para distribuição da comunhão. A partir de março, um grupo iniciará visitas mensais com oração e música, ampliando a presença junto aos internados.


No Hospital de Caridade, o padre André Lopes ressalta que a experiência pastoral junto aos doentes é exigente e significativa. “É uma oportunidade de se aproximar espiritualmente dos enfermos e seus familiares.” Missas, visitas às UTIs e quartos e a administração da unção dos enfermos fazem parte da rotina, em parceria com outros padres, leigos e religiosas. Ele recorda a orientação da Carta de São Tiago — “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja…” (Tg 5,14-15) — e lembra que cada pároco acompanha os doentes impossibilitados de frequentar a comunidade em seu território paroquial.


No Hospital Unimed o capelão é o padre Isalino Rodrigues, que chama atenção para a dimensão integral da saúde. “Todos somos portadores de enfermidades, sejam físicas, emocionais ou espirituais. Nesse sentido, a presença da Igreja junto aos leitos hospitalares tem, também, um efeito de conforto. O cuidado cristão leva a pessoa que sofre a fazer a experiência do amor misericordioso de Deus. E isso não se dá somente com o enfermo, mas também com familiares e cuidadores”, pontua.


Dores invisíveis, o exercício da fé e a importância da acolhida


Se nos hospitais a dor é visível nos leitos, há também enfermidades que não se percebem à primeira vista. É o caso da doença celíaca, condição autoimune que exige restrições permanentes na alimentação. Diagnosticada com a enfermidade, Rafaela Liotto relata que enfrentou um processo de adaptação e questionamentos. “Na hora pensei: ‘O que vou comer agora? Como vou viver sem consumir trigo?’”. A dificuldade também atingiu a vivência religiosa. “Ia à missa e não comungava. Isso me faltava. Cheguei a deixar de ir, porque não fazia sentido participar e não receber o Corpo de Cristo.” Após conversar com um sacerdote, passou a comungar sob a espécie do vinho. “Alguns perguntavam por que eu recebia o sangue de Cristo. Eu explicava que, por causa da doença celíaca, não posso consumir a hóstia.” Com o esclarecimento à comunidade, sentiu-se novamente incluída. “Minha fé deu um salto de renovação.” Hoje, ela orienta outros fiéis na mesma situação a procurarem o padre e partilharem sua realidade.


Situações como essa ajudam a compreender que nem toda enfermidade é perceptível externamente. O psicólogo clínico Igor Olivotto Bortolon observa que a saúde mental e emocional também merecem? atenção quando se pensa em saúde integral da pessoa. “Ansiedade, depressão, luto, esgotamento e crises de sentido também são formas de enfermidade e merecem acolhimento.” Assim, ele destaca que a fé não substitui o tratamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário, mas pode oferecer sentido e esperança. “Buscar ajuda profissional não é falta de fé. É responsabilidade com a própria vida.”


Ao unir testemunhos como o de Rafaela à reflexão sobre saúde mental, a Diocese amplia o olhar proposto neste Dia do Enfermo: cuidar não apenas do que se vê, mas também das dores silenciosas que exigem compreensão, inclusão e presença.


A atuação da Pastoral da Saúde estrutura essa presença em toda a Diocese. Coordenador da Pastoral, o diácono Jandir Casagrande chama a atenção justamente ao olhar que se faz necessário: “A Igreja não fala em pastoral do doente, mas pastoral da saúde. Assim, os agentes realizam visitas nos hospitais, nas casas e nos lares de idosos em todas as paróquias da Diocese. E eles não vão para levar cura, mas para levar conforto, a comunhão e, principalmente, presença. Somos chamados a carregar a dor do doente junto, ajudar a carregar”, pontua, ao se referir à mensagem enviada pelo Papa Leão XIV por ocasião do Dia do Enfermo.


Citando os Santuários, ele explica que esse amparo se torna visível. Muitas pessoas procuram o local pedindo cura física ou espiritual. “A maioria não sai curada fisicamente, mas quase todos saem com mais paz no coração e mais força para enfrentar a fragilidade, inspirados na experiência de sofrimento vivida por Nossa Senhora, os fiéis encontram apoio para atravessar seus próprios momentos de dor”, explica.



Crédito das fotos: Unção dos Enfermos: Pascom Diocese de Erexim

Missa no Hospital Santa Terezinha: Ascom FHSTE

 
 
 

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