Carta do Papa destaca valor do esporte e encontra eco na vida de padres da Diocese de Erexim
- 25 de fev.
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A vivência esportiva do padre Giovani Momo - atualmente em Roma, mas prestes a retornar para Erechim - traduz na prática o que o Papa propõe na carta: o esporte como espaço de integração, formação permanente e fraternidade entre povos e cultura

Encerradas as edições dos Jogos Olímpicos de Inverno realizadas em Milão e Cortina d’Ampezzo, a reflexão proposta pelo Papa Leão XIV sobre o sentido do esporte ganha atualidade também na realidade local. Na carta A vida em abundância – Sobre o valor do desporto, o Pontífice recorda que a prática esportiva não se limita ao alto rendimento, mas é “atividade comum, aberta a todos e saudável para o corpo e para o espírito”, capaz de favorecer o crescimento integral da pessoa, a convivência e a paz.
Ao longo do documento, Leão XIV retoma a tradição da Igreja ao afirmar que o esporte, quando vivido com equilíbrio, educa para o respeito às regras, para a superação dos próprios limites e para a fraternidade. Ele adverte, por outro lado, para os riscos da lógica do lucro e da “ditadura do desempenho”, que podem esvaziar o sentido humano da prática esportiva. “O desporto é harmonia”, já havia alertado o Papa Francisco em discurso citado na carta, ao lembrar que a busca desmedida por dinheiro e sucesso rompe essa harmonia. Para Leão XIV, o verdadeiro horizonte é a “vida em abundância”, entendida não como acúmulo de vitórias, mas como integração entre corpo, relações e interioridade.
Na Diocese de Erexim, essa compreensão se traduz também em experiências concretas. O padre Giovani Momo, por exemplo, acompanha e pratica esportes, com destaque para o futebol de campo e o futsal. Em Roma, onde reside no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, participa ainda de atividades como tênis de mesa, voleibol e jogos de cartas. Segundo ele, são momentos de integração entre os padres do colégio e também com outras casas de formação. Como coordenador do Departamento de Esportes, esteve à frente de um torneio organizado em 2024 pelos 90 anos do colégio, no qual a equipe brasileira terminou em terceiro lugar.
Para o padre Giovani, que deve retornar ao Brasil no mês de março, o esporte é “momento saudável para o corpo e para o espírito”, além de elemento importante na formação permanente dos presbíteros. Ele recorda que o Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, já recomendava que o tempo livre fosse bem utilizado para o descanso e para atividades esportivas que favoreçam o equilíbrio psíquico e as relações fraternas entre pessoas de diferentes nações e culturas.
Em sintonia com a carta de Leão XIV, o pe. Giovani resume: trata-se da “alegria de estar juntos”, onde se aprende que a abundância não nasce da vitória a qualquer custo, mas da partilha e do respeito.
A experiência confirma o que o documento pontifício propõe: a competição justa não separa, mas aproxima, e o esporte, quando vivido com sobriedade e alegria, pode se tornar verdadeira escola de humanidade.
Nesse sentido, a mensagem publicada no contexto dos Jogos de Inverno lembra que o esporte não é apenas espetáculo internacional ou palco de medalhas. Também nas quadras e campos da vida cotidiana, ele pode ser caminho de equilíbrio pessoal, encontro fraterno e testemunho de uma fé que integra todas as dimensões da existência.




Fotos: Arquivo pessoal do padre Giovani Momo




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