Apresentados os trajes oficiais da Corte da Frinape 2022



Uma solenidade simples, mas cheia de glamour e beleza. Assim foi o evento realizado na tarde desta sexta-feira, dia 23 de setembro, no Pólo de Cultura, quando foram apresentados os trajes oficiais da Corte da Frinape 2022 – Rainha, Princesas, Princesas Étnicas e Prenda -, com a descrição do que representa cada vestido. A solenidade contou com a presença do presidente da ACCIE, Fábio Vendruscolo; das coordenadoras da Comissão Social da Frinape 2022, Denise e Deunice Pezzin Fiebig, integrantes desta comissão e imprensa.

A grande novidade foi a apresentação dos vestidos da Rainha Nathália Gonçalves Spagnol e das Princesas Laura Skonra Pezzin e Sabrina Boller, de cores marcantes e belíssimos. No vestido da Rainha a homenagem ao centenário da ACCIE, por meio dos bordados presentes, que carregam consigo toda esta trajetória de sucesso e reverência aos antepassados. Nos trajes das Princesas a homenagem ao maior símbolo da nossa história: o Castelinho.

Conheça como foi a criação e o desenvolvimento de cada traje:

Princesa Afro-brasileira: Eduarda Barroso Alves Borges

Esse ano o traje da Princesa Afro-brasileira foi pensado para representar uma das grandes heranças que Erechim tem, que são as religiões de matriz africana. Erechim, segundo a pesquisa “Religiões Afro-Brasileiras em Erechim – História e Mapeamento”, realizada por Elisa Piloto (membro do MENE), licenciada em História pela UFFS – Erechim dispõe de 42 casas/terreiro de religiões de matriz africanas catalogadas, sendo umbanda, candomblé, entre outras. Os orixás são ancestrais divinizados pelo candomblé, religião trazida da África para o Brasil, durante o século XVI, pelo povo iorubá. A princesa, então, tem seu traje típico a representação da orixá OXUM.

Oxum é a rainha soberana das águas dos rios e das cachoeiras. Seu nome deriva da palavra Osun, que é um rio que corre pela região da Nigéria. Por ser a senhora das águas doces, elemento essencial para a existência da vida, ela é uma das responsáveis pela existência humana. Cultuada no candomblé e também na umbanda, religiões de origem africana. Representa, também, a sabedoria e o poder feminino. A deusa da beleza, orixá do amor, da fertilidade e da maternidade, responsável pela proteção dos fetos e das crianças recém-nascidas, adorada pelas mulheres que querem engravidar, dona do ouro e amor. Sua cor é amarelo e dourado.

O traje vem acompanhado de um Adê (coroa) de búzios (conchas), onde são peças usadas para o jogo místico das religiões de matriz africana e representam um grande sinal positivo das energias da vida, como luz e força para lidar com os desafios, problemas e decisões necessárias, sendo que neste jogo temos contato com o nosso orixá, onde ele pode nos guiar em termos boas decisões.


Princesa Alemã: Marina Muller Regla

O traje da Princesa Marina é uma estilização da moda que era usada na corte alemã, na Era Medieval. Telas e desenhos do grande artista Albrecht Dürer retratam a época. A vida na corte era sofisticada com eventos de caça, festas, torneios, bailes e jantares de gala. Revendo a história, a classe que não pertencia à nobreza empolgava-se com os acontecimentos das Cortes e copiava, com frequência, os trajes e costumes da nobreza. Marina veste uma releitura da época, confeccionada pelo estilista Ademir Prechadt.

Foi usado o veludo negro, tecido nobre trazido do Oriente por mercadores venezianos e vendido, na época, por preço de ouro. Uma sobreposição em "zibeline" na cor da uva "grenache"- um delicado rosa - que lembra o suave vinho "rosée" alemão das frutas dos vinhedos das margens do Rio Reno. Laços, fitas e relevos completam a graciosidade do vestido.

Foi uma inspiração em homenagem ao imigrante alemão, que aqui chegou com muita esperança e recebeu dessa terra as bênçãos da chuva, do sol e da lua nas belas planícies gaúchas.


Princesa Israelita: Raquel Etges Arenzon

O vestido da princesa israelita foi inspirado na história da Rainha Ester, responsável pela libertação do povo judeu. Em sua época, os tecidos eram na sua maioria brancos e leves, muito usados pelo povo judeu, sendo assim, trouxe isso ao vestido, para representar a humildade. O tecido da cor azul, representa poder, já que apenas a realeza utilizava tecidos tingidos. Além disso, a cor representa também as cores da bandeira de Israel. A cor dourada e a presença de bordados do vestido, assim como as joias que complementam a vestimenta, representam a riqueza da rainha. Por fim, há o símbolo chai que orna toda a saia, que simboliza vida.


Princesa Italiana: Isadora Balestrin Cavaletti

O vestido da Princesa Italiana Isadora Balestrin Cavaletti foi confeccionado pelo Ateliê Teka de Erechim - As cores do vestido foram inspiradas nas cores da bandeira da Itália, onde o verde representa a esperança, o branco representa a fé e o vermelho representa a caridade.

A bandeira italiana simboliza não apenas o Estado, mas todo um povo que conquistou a liberdade e se manteve unido acima de tudo.

O vestido é composto por três partes: um corpete estruturado, uma saia de renda e uma capa de crepe vermelho. O corpete branco foi decorado com fitas passanamaria nas cores verde e vermelho e bordado a mão. A saia branca, de renda soutache, simboliza o avental que era utilizado pelas mulheres italianas. A capa foi confeccionada em crepe prada vermelho, com flores de renda soutache bordadas a mão em vidrilhos nas cores verde, vermelho e cristal. Possui mangas bufantes no crepe vermelho, que se unem a uma renda bordada por meio de flores. Os bordados a mão são uma homenagem à sua avó materna Angelina Balestrin, que tem 86 anos e cultua muito a tradição italiana de bordar e fazer crochê.

Já as flores, são uma homenagem à sua avó paterna Libera Cavaletti, que tem 90 anos e sempre teve muito apreço pelas flores do seu jardim. Os trabalhos manuais e o cultivo de flores e frutos, bem como a farta culinária são hábitos incorporados por toda colônia ítalo-brasileira.

Este traje faz também uma homenagem à mulher italiana, que, com coragem, fé em Deus e dedicação à família contribuiu muito para a formação desta sociedade que hoje protagonizamos como descendentes.


Princesa Nativa: Anandaí Sabrina Fátima Farias

O traje da princesa indígena Anandaí Sabrina Fátima Farias foi concebido a muitas mãos tendo como referência a cultura da Etnia Kaingang. O croqui da roupa foi produzido pela estudante Iolanda Silveira Fernandes, do curso Superior de Tecnologia em Design de Moda do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) com o apoio das professoras Raquel de Campos e Camila Carmona Dias. O croqui foi submetido a algumas adaptações sugeridas pela Srª Susana Belfort Fakoj, que integra a Organização Indígena Instituto Kaingáng (Inka) e representes da Comissão Social da FRINAPE.

O traje da princesa Anandaí foi confeccionado pelo Ateliê Sandra Maria Lorenzi Radin e pela artesã Angélica Aline Loebler, da Di Tutto Aviamentos. As cores vermelha e preta do traje da princesa, lembram os corantes naturais utilizados nos artesatos Kaingangs, produzidos a partir do urucum, do jenipapo e do carvão. Já a cor laranja foi introduzida no artesato indígena, pelo contato com os não índios, retirada do açafrão entre outras plantas. Já os grafismos em forma de trançados, que aparecem em uma grande variedade dos artesanatos produzidos pelo povo Kaingáng, são reproduzidos por meio de bordados, com o uso de sementes naturais coletadas da natureza, na roupa da princesa. Também estão presentes nos acessórios (brincos, colares, pulseiras e bracelete) e no cocar, produzidos com fibras naturais e penas.


Princesa Polonesa: Maria Eduarda Wlodarkievicz

O traje da Princesa Polonesa da 17ª Frinape é oriundo de Pszczyna, cidade da região da Silésia, no Oeste da Polônia. Conhecida por ser uma das províncias mais industrializadas e economicamente desenvolvidas da Polônia, que se destaca pela indústria metalúrgica, a fabricação de automóveis, a produção têxtil, de produtos químicos e de energia. A região é rica em minerais, assim como a mineração de carvão, zinco e chumbo são vitais para a sua economia.

A vestimenta, como é apresentada, não era a utilizada no dia a dia, mas sim em festivais folclóricos, casamentos, feriados religiosos, festivais da colheita, entre outras festividades. Buscando representá-lo de maneira fidedigna e preservar a originalidade das suas criações, optou-se por confeccioná-lo em um ateliê especializado em trajes folclóricos na Polônia.

Pela proximidade com a Alemanha e a República Tcheca, o traje de Pszczyna tem semelhanças com algumas vestimentas desses países. Alguns elementos são marcantes, como o uso de saias longas, levemente franzidas, com aplicações de fitas bordadas com motivos florais e renda de guipir dourada na barra. O avental, quase do comprimento da saia, conta com um discreto tecido listrado e é enfeitado com bordados com motivos florais.

Outro elemento marcante é a blusa branca, com mangas bufantes e colarinho volumoso e bordado, característicos desta região. Ela faz conjunto com um colete bordado à mão com flores típicas dos campos da Silésia. Alguns elementos do traje remetem às moças solteiras, disponíveis para o casamento, como o colete de mangas curtas, o colar de três voltas, a coroa de flores na cabeça e o laço de fita grega bordada. Esta fita se sobrepõe ao avental e, também, está no acabamento da coroa, com pontas bem longas, sobre o cabelo preso.

O traje fez parte de um projeto cultural da Etnia Polonesa de Erechim e contou com o apoio do Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba.


Prenda da Frinape 2022: Letícia do Nascimento Nazari

O vestido de Prenda Letícia do Nascimento Nazari foi uma criação do Movimento Tradicionalista Gaúcho, que a partir de 1948 produziu um “Traje” que representa a mulher gaúcha. E em reconhecimento à importância desse traje tradicional Rio-Grandense, foi objeto de uma lei estadual, datada de 1989, que oficializa como traje de honra.

Da lã e algodão usado antigamente, foi se modernizando, hoje meu vestido, desenhado e produzido pela “Prenda Rosa” conta com renda tule bordado, tecido crepe new look e fita de veludo, que foi criado exclusivamente para ela, como traje oficial da Prenda da Frinape 2022.


Princesas da Frinape 2022, Laura Skomra Pezzin e Sabrina Boller

O Castelinho é considerado um dos monumentos mais importantes de Erechim. O mais antigo prédio em madeira da cidade abrigou a Comissão de Terras do Estado do Rio Grande do Sul responsável pela demarcação dos lotes, ruas e avenidas.

Nossa homenagem a este importante monumento através dos trajes da princesa. Seja pela delicadeza das cores azul e branco que se harmonizam ressaltando as belezas arquitetônicas, seja através do cercado que nos remete aos franjados.

Os bordados nos trajes das princesas, confeccionados com vidrilhos, missangas, pérolas e cristais, remetem à produção primária, desde o cultivo de grãos até a produção de uva. Destaque para o trigo, que nos anos 50 foi o principal impulsionador da economia local, tornando Erechim a capital Nacional do Trigo.

No outro traje destaque para o prédio mais antigo da cidade, que abrigou a Comissão de Terras do RGS, representado com bordados através de arabescos nas cores dourado, verde e vermelho.

Os trajes das Princesas e da Rainha da Frinape 2022 foram criação do Atelier da designer Vivian Boff e confecção do Ateliê Claudia.


Rainha da Frinape 2022, Nathália Gonçalves Spagnol

O início do Século XX foi marcado pela necessidade de receber e comercializar os produtos agrícolas e ao mesmo tempo abastecer a área rural, o que resultou na criação de casas comerciais diversificadas.

As empresas se consolidaram e prosperaram surgindo a necessidade de se organizar e constituir uma entidade que representasse a classe. Nasceu assim a ACIEE - Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim com o objetivo de auxiliar no bem-estar comunitário e consequentemente no desenvolvimento regional. Nossa homenagem ao centenário desta instituição através dos bordados presentes na saia, que carregam consigo toda esta trajetória de sucesso.

Através da cor vermelha reverenciamos todos seus antecessores que não mediram esforços para o êxito desta associação. O vermelho também é a cor da nobreza e está presente na bandeira do município, bem como sendo destaque na logomarca desta feira. Em sua cintura traz a réplica da medalha que traz o primeiro brasão da Exposição AgroPastoril denominada Frinape. O bordado é diferenciado e evidencia aspectos da história de Erechim, como a produção de erva mate.

O chimarrão faz parte da tradição gaúcha e destaca as folhas verdes, trazendo consigo a simbologia desta cultura tão significativa para o município. Assim como a uva, representada em bordado com pérolas.


COROAS DA RAINHA E PRINCESAS

A Coroa da Rainha da Frinape 2022 foi desenvolvida pela designer Nicole Baretta, empresária nascida em Erechim, onde conta com uma loja de acessórios e semijóias. Atualmente, reside na cidade de Itajaí/SC onde também fica seu ateliê.

O projeto da coroa e seu formato fazem alusão à beleza arquitetônica do famoso “Castelinho”, considerado um dos monumentos mais importantes de Erechim. Além disso, a Coroa da Rainha conta com cerca de 4.000 strass de cristais Swarovski, que realçam o brilho e imponência da coroa. E as coroas das princesas mais de 3.000 e pedras na cor azul marinho.

Historicamente, o Castelinho é o mais antigo prédio em madeira da cidade, ele é um marco do processo de colonização e abrigou a Comissão de Terras do Estado do Rio Grande do Sul, responsável pela demarcação dos lotes, ruas e avenidas da cidade.

Nossa homenagem a este importante monumento.

Do coração de Erechim para corte da Frinape 2022