24 de fevereiro: 94 anos da conquista do voto feminino no Brasil
- 24 de fev.
- 2 min de leitura
Em entrevista à Rádio Virtual, vereadoras de Erechim destacam a importância histórica da conquista do voto feminino e destacam que o próximo passo é ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão política

Hoje, 24 de fevereiro, o Brasil relembra um dos marcos mais importantes da sua história democrática: há 94 anos, em 1932, as mulheres conquistaram oficialmente o direito ao voto. A mudança veio com o novo Código Eleitoral, durante o governo de Getúlio Vargas, e abriu caminho para que as mulheres deixassem de ser apenas espectadoras das decisões políticas e passassem a ocupar, de fato, esse espaço.
Mais do que um direito nas urnas, foi a conquista de voz, respeito e reconhecimento.
Para marcar a data, a Rádio Virtual conversou com exclusividade com vereadoras de Erechim, que refletem sobre os avanços e, principalmente, os desafios que ainda permanecem.
A líder de governo na Câmara, Clarice Moraes (MDB), destaca que cada voto feminino carrega uma história de coragem e esperança. “Celebrar essa data é lembrar que a democracia só é verdadeira quando as mulheres participam, decidem e ocupam todos os espaços que sempre foram seus por direito”, afirma.
Na mesma linha, a vereadora Éclesan Ana Palhão (MDB) ressalta que o direito ao voto impactou estruturalmente o país, ampliando a representatividade e trazendo o olhar feminino para dentro das decisões políticas. Para ela, o próximo grande desafio é claro: aumentar o número de mulheres eleitas. “Votamos, mas ainda precisamos ser mais votadas. Mais mulheres na política humaniza, muda o tom do discurso e ajuda a construir uma sociedade mais justa.”
Os números destacam essa necessidade. Como lembra a vereadora Carla Talgatti (Cidadania), as mulheres representam cerca de 52% do eleitorado brasileiro, mas ocupam apenas cerca de 17% dos cargos eletivos. “O voto foi um marco de igualdade, mas nosso desafio maior é compor nominatas e estar mais presentes na política. É aí que a transformação realmente acontece”, pontua.
Já a vereadora Sandra Regina Picoli Ostrovski (PCdoB) chama atenção para uma realidade que, embora tenha mudado ao longo dos anos, ainda deixa marcas. Segundo ela, por muito tempo e em alguns casos ainda hoje, mulheres tiveram sua escolha influenciada por homens. “Ter o direito de votar e ser votada é, acima de tudo, ter voz e representação. Porque quando não estamos nesses espaços, as decisões sobre mulheres e crianças acabam sendo tomadas apenas por homens”, destaca.
Passados 94 anos, o direito ao voto feminino é, sim, motivo de celebração. Mas também é um convite à reflexão. A democracia se fortalece quando é diversa, quando diferentes vivências ocupam os espaços de decisão. E, como mostram as vozes femininas de Erechim, a caminhada continua, nas urnas, nas câmaras, nos parlamentos e em todos os lugares onde decisões são tomadas.
Por: Ragnara Marchiori




Comentários